Os mais de cem pré-candidatos vinculados ao Movimento PT no Rio Grande do Sul estão em ritmo acelerado com os preparativos e planejamentos de campanha, o que foi comprovado com a participação massiva no seminário eleitoral realizado pela coordenação estadual do MPT, em Porto Alegre, no dia 20 (sábado).
Pré-candidatos e suas equipes de campanha, de todas as regiões do Estado, reuniram-se durante todo o dia na sede da Afocefe Sindicato, sob o prisma de reforçar e esclarecer a organização de uma campanha eleitoral. O acúmulo de conhecimento da Corrente sobre o tema está sintetizado na cartilha Campanha Eleitoral lançada e distribuída na abertura do encontro. Painéis com figuras emblemáticas do MPT e reconhecida experiência, como Eliezer Pacheco, Maria do Rosário e Aldacir Oliboni fizeram parte da programação. A presença do governador do Estado Tarso Genro, à tarde, foi um dos pontos altos do evento.
O Secretário de Comunicação do PT/RS e Coordenador do Movimento PT/RS , Cícero Balestro, coordenou os trabalhos e destacou a importância da cartilha como instrumento para potencializar a campanha dos candidatos.
O secretário de Assuntos Institucionais do PT Nacional Vilson Oliveira frisou que há diferentes níveis de organização dos pré-candidatos em todo o País e, segundo ele, o Rio Grande do Sul demonstra grande evolução neste aspecto. “Reforço que a contribuição do MPT/RS para o Movimento e para o PT como um todo é algo valiosíssimo. Queremos e devemos divulgar esta experiência, levar esta cartilha a todas as regiões, colocar isso à disposição de nossos companheiros’, disse Oliveira.
O Secretário de Ciência e Tecnologia para Inclusão Social (SECIS) e um dos fundadores do MPT Eliezer Pacheco, fez análise da conjuntura nacional e enfatizou o perfil do programa proposto pelo PT para o desenvolvimento do Brasil, segundo ele um “desenvolvimento democrático, um processo de consolidação da democracia para além do conceito liberal”. A partir desta pontuação, Eliezer indicou que “o debate político deve retomar o tema da igualdade, além da democracia”, algo substancial para reforçarmos o avanço em direção ao socialismo, dentro do sistema de governo que temos atualmente.
A vereadora de Lajeado Elóide Conzatti falou sobre o perfil e trabalho de um candidato ao legislativo municipal, a partir de sua própria experiência. “Uma campanha se organiza no decorrer da vida e da trajetória política e pessoal. Você tem que se preparar, tem que planejar’, afirmou Elóide, observando também as peculiaridades de ser a única mulher na Câmara. “Devemos, inclusive, fazer um trabalho forte de preparação com as mulheres”.
O deputado estadual Aldacir Oliboni confirmou a impressão de que a vida de um candidato muda após a tomada da decisão de participar de uma campanha e, principalmente, após eleito. “É preciso manter o contato e o envolvimento com a base, estar presente na comunidade, sempre. É algo que vai além de sua vontade pessoal”. Oliboni também pontuou as responsabilidades de ser um candidato do Movimento PT. “É necessário entender que a aceitação dos candidatos do MPT passa por reivindicações históricas que possam ser assumidas. Temos que nos identificar com alguma coisa e dentro de um segmento consolidam-se os votos desde que exista, realmente, projeto e trabalho”.
Rodrigo Oliveira, Vice-Presidente do PT/Porto Alegre e membro da Executiva do MPT/RS, ao apresentar a cartilha, lembrou que comunicação não é simplesmente “o que se quer dizer”, mas também e principalmente, “o que as pessoas entendem sobre o que dizemos”, e, neste sentido, a comunicação da campanha eleitoral merece grande atenção.
O Secretário de Planejamento de São Leopoldo e membro da Executiva do MPT/RS Fernando Menezes discorreu sobre o processo de planejamento da campanha eleitoral, destacando o método de Planejamento Estratégico Situacional (PES), de Carlos Mattos. “Fazer política é a arte de conquistar e envolver as pessoas e de se comunicar. O poder ara governar é um jogo estratégico e acaba sendo uma disputa pessoal entre muitas vezes, companheiros de partido – é o que os candidatos vão encontrar”. Menezes também falou sobre a importância da identificação legítima entre o que é comunicado em uma campanha – a propaganda e o marketing eleitoral – e o que realmente é o candidato. “Sobretudo o que precisamos é de força, disposição e raça para ganhar as pessoas. O discurso e a prática devem andar juntos. Fazer política é 24h por dia e o candidato tem que dar exemplo’, convocou.
Para Maria do Rosário uma das questões a ser lembrada sempre é de que as candidaturas do MPT representam valores muito importantes e os candidatos serão representantes legítimos, no plano conceitual e ideológico, dos que neles confiaram seu voto. “Ser candidato e, depois, vereador ou prefeito, é representar mais que um compromisso de trabalho. É um compromisso de pessoa, é u m compromisso humano. E neste sentido a nossa meta é mostrar àquelas pessoas que querem ter seu voto valorizado, mostrar para cada uma delas, para cada família, que este voto estará valendo a pena e não será desperdiçado. O eleitor busca força para atender às suas necessidades e resolver os problemas e ao assumir uma campanha e uma eleição estamos assumindo uma dívida com as pessoas”.
Rosário também pontuou a importância de, durante as campanhas, vincular as candidaturas e propostas de governo municipais ao governo Dilma. “Todas as cidades têm recursos federais atualmente – obras, programas, projetos sendo desenvolvidos, como, por exemplo, os projetos da luta contra o crack, o programa recentemente lançado Brasil Carinhoso e tantos outros. São programas que nasceram do nosso modo de governar e de nossa proposta para o desenvolvimento brasileiro, são projetos petistas e os candidatos podem assumir como compromissos seus em suas cidades, podem comprometer-se e fazer esta ponte”.
O advogado Márcio Félix falou sobre a legislação eleitoral e destacou pontos do regramento da campanha, indicando que deve-se prestar atenção especial ao registro de candidatura e prestação de contas. Feliz também observou que há algum tempo não se tem mais, a cada pleito, uma nova lei eleitoral, o que se tem é a mesma lei acrescida de resoluções que a atualizam em pontos antes não tratados.
A participação de Tarso Genro foi uma das mais aguardadas. O governador do Estado e integrante da corrente Socialismo 21, fez questão de lembrar, logo em sua saudação inicial, que foi um dos fundadores do MPT, ao lado de Maria do Rosário, Eliezer e outros companheiros.
Em discurso de cerca de 20 minutos, Tarso pontuou que o Partido deve retomar o seu vigor originário e fazer isso através dos diferentes canais, como o Orçamento Participativo, as diferentes redes, tecnologias, a comunicação.”Precisamos de participação para que a democracia representativa tenha fôlego para resistir ao capital liberal. É o capital liberal que está fazendo a revolução - está destruindo e modificando as estruturas contra as quais lutamos historicamente, é o capital liberal que está fazendo isso, não nós”.
A importância dos municípios neste processo foi enfatizada por Tarso que os classificou como sujeito político a orientar o desenvolvimento natural em curso. “Não existe mais município isolado do restante do mundo [em referência à globalização] e no bojo deste processo eleitoral vamos afirmar um projeto de partido que precisa se renovar. O MPT tem esse caráter de renovação. O PT está se tornando um partido tradicional, no sentido de acomodação, progressista democrático. Não se pode deixar de ser um partido revolucionário e hoje a revolução, a luta do PT , é uma estratégia conseqüente”, complementou.
